O NÉCTAR
DOS DEUSES
Agora meu amor vem
até mim que eu tenho uma novidade para lhe dizer. Descobri no jardim da vida
que há um fruto doce e saboroso, tão precioso como o mel nos favos, ou o leite
nos ubres. E o importante é que o fruto quanto mais dele se come, mais dele queremos.
Como se fosse possível nunca nos fartarmos. Ora quando se está satisfeito de
seu doce algo mágico se dá e de forma divina mesmo, tenho que te confessar,
fica o prazer de seu sumo, que ressuscita de forma inesperada toda a ânsia de
tornar a se lambuzar no seu mel.
Guarda o mistério
desse deleite entre eu e tu meu bem. Para que a cobiça, força natural no
existir dos homens, não arrebate de nós a glória desta descoberta.
Quem sabe meu bem
não seja este o manjar mesmo dos anjos, dos eleitos... E, não fomos nós os
escolhidos para dele desfrutar. E advirto-te, lembra que há o mal, o nefasto
ladrão dos prazeres. Eu e tu conhecemos do negro pântano da angústia e da dor,
e por isso mesmo esta minha descoberta, não poderia ser o cumprimento de uma promessa?
Aquela que tanto aguardamos alcançar? No passar dos anos sobre a terra ou numa
vida além túmulo? Toma um beijo meu e selemos um pacto de segredo sobre nosso
doce fruto do prazer. Guarda no teu coração como presente, esta novidade, até
mesmo quando eu me tornar para sempre de ti ausente.
FIM


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