DELÍRIO AO SOL NASCENTE Desponta no horizonte o sol nascente, E meu coração pulsa no peito arfante... Rega o sangue quente feito sol ardente, Todo meu corpo exulta num amor demente. Traz até mim ave altaneira que ora avisto, A amada que distante de mim se faz ausente, Só ela sei é fonte certa, A saciar minha alma sedenta, Inquieta e ferida por terrível seta. Minh’alma ora a Deus lamenta. E firo o olhar no astro que a meio horizonte, Desponta... Ah... Quem dera agora quedar minha cabeça, Cansada e latejante em teu peito, Aconchegante. Durma eu profundo sono, Logo após o sono da noite inquieta, E traz até mim neste triste e amargo ermo, Ó adorada Hera ao menos o sopro... Daquilo que minha amada era. IVAN DE ALENCAR