UMA POESIA

VALE DAS ESPERANÇAS PERDIDAS

Minha mão incerta,
Ergue da pena e temeroso avanço,
No derramar das palavras,
Em busca de heroico levar a cabo,
Tão inesperado propósito,
De tão árduo poema...
E arrisco-me queimar,
No fogo abrasador de tão sublime amor,
E atingir em mim todo o fervor,
De tão caloroso intento,
Que ora com afinco me inspiro...
E em temerosa trama,
De densas trevas de passado errante,
Traga até mim a flor mais bela,
Do jardim dos idos... Das eras...
De meu passado ora distante,
A rosa escarlate,
De vermelho rubro...
O sangue quente,
Que ora se espraia de meu coração ardente,
Na busca de tecer,
Em curto instante,
Belo e inebriante verso,
Que ora alcanço...
Traçar suave sem tanta rima,
Quem sabe a dor da perda,
No desvelo do tempo,
Das mais caras e raras,
Lembranças que ora amargo...
E sem duro padecimento,
O varrer em vento errante,
Das esperanças todas,
À minha alma atadas...
Que a cálida brisa avance,
E que feneça por todo o vale,
Até a bela rosa,
Em beleza suprema e inaudita...
Respingue a garoa fina,
De tíbio inverno que já finda,
E venha o sol abrasador,
E resseque do vale das esperanças ausentes,
Toda a sutil erva,
Que recobre a terra toda,
Do jardim da vida...
Desça eu sedento,
Em busca insana,
A esbravejar no ermo vale,
Feito viandante que quer guarida,
Amante primeiro da primeira joia,
Que brilhe aos meus olhos,
De lágrimas ressequidas...
E num acalanto,
Que me açoita o vento,
Encontre eu em meu intento,
Da água pura que me sacie,
Imortal sede,
Que no peito abrigo,
Em tão breve momento...
E reencontre então eu,
O destemor de recolher lá,
Bem no horizonte distante que ora avisto,
Os frutos de tão penoso padecimento.
Que para trás fique,
Todo o temor que em meu coração,
Palpita...
De ter-me esvaído toda esperança,
E brote no raiar do novo dia,
Folhas verdejantes,
Ao sol nascente...
Paraíso propício,
Quem sabe,
A outro amor ardente.

IVAN


Setembro de 2016





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